Há certos momentos de uma viagem que tens de escolher um determinado caminho, sempre. Muitas dessas escolhas são feitas tão inconscientemente que nem te dás conta de que tantas foram feitas, mas chega uma hora que não dá mais para olhar para o destino desejado sem antes pensar cuidadosamente na decisão a tomar. É assim: há tanto tempo que saiste de casa que nem mais te lembras há quando estás a andar; a viagem tornou-se tão longa, que já te esqueceste dos outros caminhos que deixaste para trás, aqueles que deixaste em detrimento dos que foram escolhidos. Até a hora em que chegas em mais um daqueles momentos, um momento em que tens que escolher novamente um caminho e a única coisa que sabes pensar é no que essa escolha irá trazer-te de bom e as outras coisas que deixarás para trás. Escolher um caminho não é só escolher o cenário da tua viagem; escolher um caminho é não escolher outro cenário, não escolher outro rumo que a viagem tomará. Nessa escolha fica a dúvida, a incerteza e, principalmente, insegurança. Aquela insegurança que fica quando erras e ficas a imaginar como teria sido se lá atrás, quando escolheste o caminho, tivesses tomado uma diferente decisão, um diferente rumo.
Nesse percurso é mais fácil acreditar em dúvidas, é mais fácil acreditar em destino.
Quando se acredita em destino tudo fica mais leve, parece que te livras da responsabilidade de escolher, ou melhor, de deixar de escolher. Parece que independentemente do caminho que escolheres, o destino, o final da viagem sempre será o mesmo, só decides a distância. Acreditar em certos dogmas faz com que acreditas que já nasceres pré-destinado, que uma coisa vai acontecer independente de tua vontade ou de tuas escolhas, ou seja, não há um caminho errado, apenas um mais longo, qualquer que seja o caminho escolhido sempre chegarás ao certo.
Quando não se acredita em destino te submetes ao peso da responsabilidade. A escolha do caminho é de única e exclusiva responsabilidade tua, tu tomarás a decisão e ela cabe só a ti, ninguém pode tomá-la das tuas mãos e, por isso, ninguém pode tomar a culpa caso a escolha seja errada. Se escolheres o errado a quem vais culpar, o destino? É uma decisão somente tua e um erro que só tu tens capacidade de cometer.
Os caminhos também podem ser traiçoeiros, podem te dar a imagem do melhor cenário, da mais aconchegante viagem mas te privar de saber do final. Entre dois rumos, qual escolher? Aquele que te ofereça a melhor viagem ou aquele que te ofereça o melhor destino? E quando não sabes qual o destino de nenhum deles, qual escolher?
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*Eu queria saber responder a todas as perguntas, mas eu ainda não escolhi o meu caminho. Por isso preciso caminhar mais um pouco pra poder dizer o que realmente pode valer a pena, embora eu vá desconhecer o que o outro caminho, aquele que eu não escolherei, poderia me oferecer.
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Continua...


