terça-feira, 24 de junho de 2008

Caminhos

Há certos momentos de uma viagem que tens de escolher um determinado caminho, sempre. Muitas dessas escolhas são feitas tão inconscientemente que nem te dás conta de que tantas foram feitas, mas chega uma hora que não dá mais para olhar para o destino desejado sem antes pensar cuidadosamente na decisão a tomar. É assim: há tanto tempo que saiste de casa que nem mais te lembras há quando estás a andar; a viagem tornou-se tão longa, que já te esqueceste dos outros caminhos que deixaste para trás, aqueles que deixaste em detrimento dos que foram escolhidos. Até a hora em que chegas em mais um daqueles momentos, um momento em que tens que escolher novamente um caminho e a única coisa que sabes pensar é no que essa escolha irá trazer-te de bom e as outras coisas que deixarás para trás.
Escolher um caminho não é só escolher o cenário da tua viagem; escolher um caminho é não escolher outro cenário, não escolher outro rumo que a viagem tomará. Nessa escolha fica a dúvida, a incerteza e, principalmente, insegurança. Aquela insegurança que fica quando erras e ficas a imaginar como teria sido se lá atrás, quando escolheste o caminho, tivesses tomado uma diferente decisão, um diferente rumo.
Nesse percurso é mais fácil acreditar em dúvidas, é mais fácil acreditar em destino.
Quando se acredita em destino tudo fica mais leve, parece que te livras da responsabilidade de escolher, ou melhor, de deixar de escolher. Parece que independentemente do caminho que escolheres, o destino, o final da viagem sempre será o mesmo, só decides a distância. Acreditar em certos dogmas faz com que acreditas que já nasceres pré-destinado, que uma coisa vai acontecer independente de tua vontade ou de tuas escolhas, ou seja, não há um caminho errado, apenas um mais longo, qualquer que seja o caminho escolhido sempre chegarás ao certo.
Quando não se acredita em destino te submetes ao peso da responsabilidade. A escolha do caminho é de única e exclusiva responsabilidade tua, tu tomarás a decisão e ela cabe só a ti, ninguém pode tomá-la das tuas mãos e, por isso, ninguém pode tomar a culpa caso a escolha seja errada. Se escolheres o errado a quem vais culpar, o destino? É uma decisão somente tua e um erro que só tu tens capacidade de cometer.
Os caminhos também podem ser traiçoeiros, podem te dar a imagem do melhor cenário, da mais aconchegante viagem mas te privar de saber do final. Entre dois rumos, qual escolher? Aquele que te ofereça a melhor viagem ou aquele que te ofereça o melhor destino? E quando não sabes qual o destino de nenhum deles, qual escolher?
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*Eu queria saber responder a todas as perguntas, mas eu ainda não escolhi o meu caminho. Por isso preciso caminhar mais um pouco pra poder dizer o que realmente pode valer a pena, embora eu vá desconhecer o que o outro caminho, aquele que eu não escolherei, poderia me oferecer.
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Continua...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Confusão


O blog se iniciou juntamente com a Mudança de Hábito. Sinto que essa mudança será longa, ou não, depende do ponto de vista. O que eu penso é que essa mudança representa uma fase, um entremeio do passado, fase passada, com o que está por vir. Sendo assim, nada saberei no que vai resultar, nada. Talvez depois dessa 'fase', tenha outro blog para marcar a então grande mudança. Eu penso, penso, mas nada consigo pensar. Essa mudança faz com que eu aja praticamente, automaticamente. Será que tá certo? Algumas das mais profundas reflexões me deixaram sozinha Não leio mais, não converso mais com quem eu tanto gostaria e do jeito que eu gostaria. Não posso falar dos assuntos que eu gostaria. Guardo-os. Posso descrever como se eu estivesse no meu período de 'intérfase', em alta complexidade e atividade, mas nada que eu possa realmente analisar, sei lá. Sem citações literárias, sem palavras literárias, sem textos literários. Tudo assim, muito seco, prático e didático. Será que estou me rendendo àquilo que eu justamente não queria ser?


Primeira mudança: escrever em primeira pessoa e sem nenhuma preocupação em saber que ficou horrível tudo isso. Nem sei se devo publicar...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Mudança de Hábito

O coração pulsante, os movimentos acelerados e a respiração ofegante. Por mais que parecesse algo extremamente agitado, o movimento que as folhas faziam em cima das árvores e a sensação do vento gelado batendo no rosto, traziam-me o sentimento de leveza e esperança. As pernas alternadamente se contraíam e construíam o movimento. Olhos abertos, visão fechada, mente cheia, peito apertado. A acelaração das atividades desaceleravam o tempo e fazia do 'instante-já' o instante-eterno.
Na frente, o caminho; dos lados, as escolhas; para trás, as derrotas. Percebi que eu não sei quem sou, porque somos o que fazemos e eu, portanto, não sei o que faço.

Pensei em várias formas de começar esse blog, mas falta-me algo, quer dizer, muitos 'algos'. Pensei em narrativas, em citações, em verdades absolutas e até em verdades abstratas. Por um instante pensei no sol, no mar. Pensei no futuro e também não pensei. Quando deixei de pensar passei a ver e vi, em tudo, que falta-me mais do que muitos 'algos', falta-me um essencial, um só meu, um 'algo-primordial'.

O meu algo-primordial é indeterminado, indescritível e invisível. É tal que ainda não existe - por enquanto. Aos poucos vou me transformando com a beleza de ser só, com a beleza de ter uma dúvida e ter a necessidade de procurar a resposta em meu próprio eu. A transformação de poder andar e chorar, correr e pensar, admirar e descobrir. Tranformação de mundo, como quem nasce agora, no nosso 'instante-já', e reinventa uma nova forma de viver e se adaptar ao seus novos mundos - próprio e alheio.

Eclâmpsia: Meu estado convulsivo pós-parto. Renascer. Repensar. Reaprender. E é a essa transição de mundo que dedico todo esse blog.